Para Natalia Viana, “diante do colapso do clima, é hora de o Norte começar a olhar para o Sul – e aprender com seu povo e jornalistas”

Por Victor Moura dez 23, 2021

Diretora executiva da Agência Pública, e presidente licenciada da Ajor, Natalia Viana está na lista entre os profissionais que apresentaram suas previsões para o jornalismo em 2022. Em seu texto, ela afirma que a crise climática se tornou um debate Internacional e ressalta a importância do trabalho realizado por jornalistas, líderes comunitários e a luta dos povos na América Latina. 

 

O relato de Natalia faz parte do Especial do Nieman Lab – Laboratório de Jornalismo de Harvard, que convida pessoas influentes do jornalismo e da mídia para fazer previsões para a área nos próximos 12 meses. 

 

Em sua trajetória profissional, a jornalista cobriu a pauta dos direitos humanos. Para ela, com a chegada da crise climática, um dos principais assuntos em 2022, jornalistas e veículos de mídia da Europa e América do Norte vão precisar aprimorar técnicas importantes para a cobertura da pauta ambiental, a fim de ter êxito em noticiar denúncias, ampliar a voz de líderes locais e construir movimentos para auto protegê-los. 

 

Diante disso, será necessário olhar para o hemisfério Sul, prioritariamente para a América Latina, território que, com sua  ampla biodiversidade, chama a atenção de corporações multinacionais que danificam o meio ambiente. Há tempos, as consequências desses abusos exigem do jornalismo ambiental um árduo trabalho de cobertura da resistência e luta pela preservação de povos indígenas, camponeses e líderes comunitários. 

 

Apesar da relevância do tema, esse jornalismo enfrenta barreiras para ser valorizado. Enquanto jornalistas tentam noticiar denúncias, que têm como fontes líderes comunitários, que apresentam documentos, provas e evidências dos danos ambientais, as grandes corporações realizam as próprias pesquisas para legitimar suas ações e comprovar o oposto. 

 

A resistência em relação a  fontes locais e a ridicularização dos jornalistas ambientais começa nas próprias  redações , como revela Natalia, “Mesmo quando um jornalista visita a comunidade, faz o trabalho de campo, ouve os líderes e reúne as evidências, ele ainda precisa convencer um editor de que essas são fontes confiáveis. O mesmo é verdade para aqueles que tentam convencer editores dos Estados Unidos e da Europa.”

 

Apesar dessa desvalorização, o próximo ano pode trazer foco aos profissionais dessa área. De acordo com a jornalista, as consequências do capitalismo predatório para o meio ambiente estão movimentando discussões no Hemisfério Norte. Para ela, “à medida que as organizações de notícias no Norte aumentam seu foco na crise climática, é hora de os líderes comunitários no Sul – e o jornalismo que já considera esses líderes como especialistas em conservação da natureza e cura da terra – serem vistos como fontes valiosas de histórias, comentários e soluções.”

 

Para ver essa e mais previsões para o jornalismo em 2022, clique no link

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